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Chocolate: tóxico para cães e gatos

Chocolate: tóxico para cães e gatos

Muitas substâncias presentes nos alimentos para consumo humano são tóxicas para cães e gatos, e a falta de informação por parte dos tutores pode trazer sérias conseqüências à saúde desses animais.

O termo “tóxico”, de maneira geral, é definido como qualquer substância exógena em quantidade suficiente que, em contato com organismo, provoca ação prejudicial e origina desequilíbrio orgânico. Alimentação compartilhada, portanto, é uma das principais causas de intoxicações alimentares em cães e gatos, que podem ocorrer de duas maneiras: por meio de fornecimento de forma intencional, ou de forma acidental, na qual o animal ingere o alimento tóxico sem o tutor perceber ou oferecer. Segundo a Federação da Indústria de pet food da Europa (Fediaf), os alimentos com mais evidência científica de toxicidade para cães e gatos são o chocolate (exceção se faz aos produzidos exclusivamente para cães), cebola, alho, e uvas em natura ou passas (VENDRAMINI et al., 2006).

O chocolate é altamente palatável e muito atraente aos cães, sendo constituído por carboidratos, lipídios, aminas biogênicas, neuropeptídios e metilxantinas (teobromina e cafeína) (QUINZANI, 2012).  Apesar de sua concentração de teobromina ser de três a quatro vezes maior do que a de cafeína, ambas contribuem para a síndrome clínica que acontece na toxicose por chocolate (DINIZ, 2011). A quantidade de teobromina varia de acordo com o tipo de chocolate. Quanto mais matéria lipídica, menor será o teor de teobromina, caso dos chocolates brancos, que não oferecem tanto risco de intoxicação para os cães. Quanto mais escuro, “puro e concentrado” for o chocolate, mas teobromina possuíra e, consequentemente, maior será o risco de intoxicação (DINIZ, 2011; QUINZANI, 2012), Uma vez que cães e gatos metabolismo esses compostas de forma mais lenta, o que aumenta sua predisposição a intoxicação (VENDRAMINI et al., 2006).

Epidemiologia

Essa intoxicação encontra-se entre os 20 envenenamentos mais comuns descritos na literatura recente pelo National Poison Control Center (Estados Unidos). No Brasil, não existem dados estatísticas oficiais a este respeito (DINIZ, 2011). O chocolate amargo, utilizado em confeitaria, é o que oferece maior risco de intoxicação, pois possui em torno de 1,35% de teobromina. No chocolate branco, esse teor gira em torno de 0,005% (QUINZANI, 2012). A dose tóxica para cães em torno de 100 a 150 mg/kg de peso e para os gatos é de 80 a 150 mg/kg. Em cães, a dose letal situa-se entre 250 e 500 mg/kg. Entretanto, sinais clínicos leves foram observados em cães que ingeriram 20 mg/kg.

A metabolização da metilxantina encontra algumas particularidades no cão que tornam sua ingestão altamente perigosa. Por ser um componente altamente lipossolúvel, atravessa as barreiras placentária e hematoencefálica facilmente, sendo absorvida por boa parte do trato digestivo, principalmente estômago e intestino (DINIZ, 2011; QUINZANI, 2012). Uma vez absorvida e distribuída no organismo, no sistema nervoso central compete com a adenosina, que é um inibidor pré-sináptico neuromodulador, levando a excitação e podendo ocasionar a constrição de alguns vasos sanguíneos, diurese e taquicardia. A cafeína estimula diretamente o miocárdio, o músculo esquelético e o sistema nervoso central, potencializando a excitação causada pela teobromina (VENDRAMINI et al., 2006; QUINZANI, 2012).

Outra particularidade da teobromina é sua meia-vida. No cão, é de 17,5 horas, podendo ficar no organismo por até seis dias, pois sua eliminação não acontece pelos rins, somente por via hepática (DINIZ, 2011; QUINZANI, 2012). Em grande quantidade no organismo do cão, a teobromina causa excitação, hipertensão moderada, bradicardia ou taquicardia, arritmias (contrações ventriculares prematuras), ofegância e cianose. Já a cafeína causa taquicardia, taquipneia, hiperexcitabilidade, tremores e, algumas vezes, convulsões (QUINZANI, 2012). As metilxantinas também podem competir com os receptores benzodiazepínicos no sistema nervoso central e inibir a fosfodiesterase, resultando em aumento dos níveis de monofosfato de adenosina cíclico (AMPc) (SAMPAIO, 2010).

Diagnóstico e tratamento

Os sinais clínicos, observados de 6 a 12 horas após a ingestão, são: vômito, diarreia, desidratação, polidipsia, poliúria e polaciúria, náuseas, hemorragias internas e arritmias cardíacas. Pode ocorrer incontinência urinária, hipertermia e, em casos mais graves, coma e morte (VENDRAMINI et al., 2006; QUINZANI, 2012). A morte, geralmente, é consequência de arritmias cardíacas, hipertermia ou insuficiência respiratória (SAMPAIO, 2010). Hemorragia intestinal pode ocorrer, normalmente, entre 12 e 24 horas após a ingestão. O alto teor de gordura de chocolate pode provocar pancreatite (VENDRAMINI et al., 2006; SAMPAIO, 2010; QUINZANI, 2012).

Geralmente, a intoxicação acontece em animais de pequeno porte, pois há maior quantidade de chocolate disponível em relação ao seu peso corporal. É mais comum também em animais jovens e filhotes, pois sua curiosidade natural faz com que ingiram grande quantidade de alimentos estranhos. As quantidades tóxicas não são, necessariamente, ingeridas de uma vez, visto que a teobromina pode permanecer no organismo por até seis dias. Em consequência disso, doses repetidas, em dias suscetíveis, também podem determinar a intoxicação (QUINZANI, 2012).

O diagnóstico é baseado no histórico de exposição, acompanhado dos sinais clínicos. Deve-se diferenciar de toxicose por anfetamina, cocaína e ingestão de anti-histamínicos ou outros estimuladores do sistema nervoso central (SAMPAIO, 2010).

O tratamento para esse tipo de intoxicação é o de suporte, associado à eliminação de todas as toxinas absorvidas, e deve ser realizado por um médico veterinário. Deve-se realizar a descontaminação nos animais que foram estabilizados ou que foram apresentados antes que os sinais clínicos se desenvolvessem (por exemplo, dentro de 1 h da ingestão).

Caso a ingestão seja de chocolate branco ou um chocolate com baixa concentração de teobromina, pode ocorrer somente um quadro gastroentérico (vômito e diarreia), devido à presença de lipídios; neste caso, os sintomas são mais discretos e o prognóstico pode ser bom, com uma rápida recuperação do animal, depois do tratamento sintomático (QUINZANI, 2012). Os sinais clínicos podem persistir por até 72 h nos casos graves (SAMPAIO, 2010).

Considerações finais

Devido ao hábito do compartilhamento de certos tipos de alimento entre tutores e seus animais, a intoxicação alimentar tem se tornado comum na clínica de pequenos animais, devendo a intoxicação por chocolate ser considerada uma emergência médica. Atualmente, existem no mercado formulações específicas para cães que se parecem com chocolate e não possuem teobromina na sua composição, sendo feitas com extrato proteico vegetal, gordura vegetal, soro de leite e outros componentes não tóxicos aos cães e gatos.

Caso tenha mais dúvidas sobre este assunto, entre em contato com os farmacêuticos Proderma!

Artigo original:

Revista CFMV nº71, página 38

Referências:

DINIZ, M.C. Intoxicação por chocolate em cães e gatos. Blog Ourofino agronegócio http://www.ourofinosaudeanimal.com/blog/intoxicacao-por-chocolate-em-caes-e-gatos/

SAMPAIO, A.B.; DELLA FLORA, A.M.V.; ROSSATO, C.K. Intoxicação por chocolate em cães. Seminário interinstitucional de Ensino, Pesquisa e Extensão. Unicuz. 2010

VENDRAMINI, T.H.A; MATHEUS, L.F.O; SANTOS, K.M. et al. Alimentos tóxicos para cães e gatos: Saiba identificar e tratar possíveis quadros de intoxicação. Revista Cães e Gatos. Ano 32, n.199, p.54-56, 2006.

QUIZANI, M. Intoxicação por chocolate em cães. Revista Cães e Gatos. Ano 28, n.153, p.12-16, 2012.

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